quinta-feira, 29 de março de 2012

A Iniciação na Umbanda e no Candomblé não é uma panacéia Alguns dos seguidores das religiões Afro-brasileiras que cultuam os Orixás (especialmente o Candomblé e a Umbanda) têm a errônea noção de que ao se iniciarem no caminho dos Orixás todos os problemas de sua vida serão eliminados, que esse ato iniciatório lhes dará o poder de transcender as dificuldades e os fará imunes às tragédias. Todas essas noções são inexatas. O propósito da iniciação no Candomblé e na Umbanda é dar à pessoa uma consciência mais profunda de si mesma e do mundo. Essa consciência se torna a base de um processo de solução dos problemas que está baseado em uma visão complementar da interação pessoal e espacial. A iniciação no caminho do Orixá estabelece uma nova maneira de ver, de ouvir e de ser. Ela não remove, de forma mágica, as dificuldades da vida do Iniciado. O único modo pelo qual a Iniciação é realizada é a reafirmação diuturna do Iniciado dos princípios dos Orixás tal como são experimentados durante o processo ritualístico iniciatório que realiza o renascimento dos indivíduos para uma nova vida. Este é um processo de transcendência das limitações. Cada nova revelação, compreensão, experiência ou cerimônia trás o potencial necessário para a “iluminação”. Cada vez que expandimos nossa consciência, o velho deve morrer e renascer com uma nova profundidade de sabedoria. Deixar ir ao velho ser, deixar as velhas idéias, as velhas maneiras pode ser uma tarefa difícil e dolorosa. A experiência de deixar esse estado anterior, no contexto da Iniciação, dá ao iniciado uma experiência simbólica de mudanças internas e externas que ocorrem cada vez que expandimos nossa consciência. Os que estão buscando o fim das dificuldades, dos conflitos, dos desafios estão buscando o final da vida, não as bênçãos da vida. Na cosmologia afro-brasileira todas as formas de abundância chegam como conseqüência das transformações que acontecem durante a vida religiosa. Por isso não podemos enxergar a Iniciação aos cultos Afro-brasileiros como uma panacéia, mas sim como um meio de ser melhor para si mesmo, para os demais seres humanos e para toda a Criação.

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