quinta-feira, 29 de março de 2012
A Umbanda OmolokôPequena introdução à Umbanda Omolokô Segundo Tancredo da Silva Pinto, Tata Inkice, em seu livro Culto Omoloko - Os Filhos de Terreiro, a palavra OMOLOKO é de origem yorùbá e significa: Omo - filho e Okó - fazenda, zona rural onde esse culto, por causa da repressão policial que havia naquela época, era realizado na mata ou em lugar de difícil acesso dentro das fazendas dos donos de escravos. Talvez, por causa disso, possamos teorizar que hoje temos as denominações de "terreiro e roça" para os lugares onde os cultos afro-brasileiros são realizados. No culto Omoloko os orixás possuem nomes yorùbá (nagô). Seus oriki (poemas laudatórios que se relacionam aos Orixás), e oruko (nome) são trazidos através do jogo de búzios. Seus "assentamentos" são semelhantes aos feitos no Candomblé Nagô, e os Exus são feitos de argila, à semelhança de uma pessoa, ou então, simbolicamente, em ferro. Podemos relacionar o significado da palavra OMOLOKO, também, com o Òrìṣà Okó, Orixá da agricultura, que era adorado nas noites de lua nova pelas mulheres agricultoras de inhame. Antigamente, o orixá Oko era muito cultuado no Rio de Janeiro e era assentado junto com Oxossi, o que dá maior consistência à origem do culto Omoloko, fortemente influenciado pelo orixá Oxossí, cujo culto permaneceu melhor conservado no contexto religioso dos negros afro-brasileiros. Segundo Tancredo, o culto Omoloko chegou ao Brasil proveniente do sul de Angola, onde era praticado por uma pequena tribo pertencente ao grupo Lunda-Quiôco, que ficava às margens do rio Zambeze, que lhes fornecia alimentação no período das cheias. Outra associação que podemos fazer é a sua relação ao vodun Loko cultuado pelo povo Fon (Jêje), que tem como correspondente yorùbá o Òrìṣà Ìrókò, e que por sua vez, corresponde ao inkice Tempo (Kitembo) na nação Angola. Na época em que os cultos religiosos de origem africana eram proibidos, esse orixá foi sincretizado a Santo Onofre, para disfarçar o seu culto africano. Pesquisas mais recentes dão conta de que a origem do nome Omoloko, também está ligado ao povo Loko. A tribo Loko estava divida em tribos menores ao longo dos Rios Mitombo, Bênue e Níger, e no litoral de Serra Leoa. Acredita-se que a tribo Loko fazia parte de um grupo maior chamado Mane, cujo povo veio escravizado para o Brasil e formou o que hoje conhecemos como Nação Omoloko. Nei Lopes, escritor, músico e compositor, em seu livro Enciclópedia brasileira da Diáspora Brasileira (São Paulo: Selo Negro, pág. 497, 2004) diz que Omolokô é um antigo culto banto cuja expansão se verificou principalmente no Rio de Janeiro, na primeira metade do séc. XX. Na Umbanda Omolokô há o culto aos Orixás (se tiver um viés Ketu), aos Bacuros ou Inkices (se tiver um viés Angola-Bantu) ou Voduns (se tiver um viés Fon-Jêje). Há também o culto às entidades encontradas em outras vertentes de Umbanda tais como Pretos Velhos, Boiadeiros, Baianos, Marinheiros, Crianças, Exus, Pomba Gira (Bombogira) e outras entidades encontradas no Catimbó-Jurema, Toré, Babaçuê, Tambor de Mina etc.
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